sábado, 27 de novembro de 2010

NOVO BLOG!

Boa noite !

Informo que estou mudando de blog, o novo endereço é:

www.latransfert.com


Grande abraço!!

sábado, 2 de outubro de 2010

Para além da Psicanálise...

Depois de mil anos sem postar nada, cá estou eu...

Quantas coisas aconteceram, arrisco até dizer que algumas mudanças em minha vida podem ter sido para sempre. Mas, como a experiência nos mostra, nada é para sempre...ou é?!
Bom, confesso que todo esse período sem escrever possa ser algum tipo de resistência minha, afinal de contas, há algum tempo sinto que a Psicanálise está escapando de mim, ou seja, muitas outras tarefas têm tomado muito meu tempo, e tenho deixado de lado algumas coisas que antes eram prioridade para mim.
Engraçado (ou não) mas toda vez que venho escrever aqui, não é porque estou sem fazer nada, simplesmente vem a vontade, e na maioria das vezes, tenho outras mil coisas para fazer, ou então, tenho que enfrentar obstaculos, como é o caso (o notebook com defeito, apagando toda hora), ou quando estou um pouco ansiosa, ou angustiada, etc, etc...A escrita é um exercício da mente também! 

Bom, chega de justificativas! Cheguei de viagem essa semana e voltei com muita vontade de tudo. Vontade de ler, escrever, aproveitar mais a vida, sorrir mais, cantar, chorar, refletir, reforçar as amizades, rever amigos, conhecer pessoas e...viajar mais! Ah...como é bom viajar, sentir-se estranho, desconhecido nos lugares pode não ser tão ruim assim, as vezes, parece que a liberdade toma conta nessas situações.

Viajei com o propósito de participar de um congresso de Psicanálise, e posso dizer que, confirmei mais uma vez que é isso que quero para minha vida: possibilitar ao outro mais questionamentos, mais indagações, deixá-lo colocar-se no lugar de sujeito barrado, que não é perfeito, nem tão pouco completo, possibilitar a retificação subjetiva.

O que mais me intriga na Psicanálise, é que esta não impõe nada, deixa livre os caminhos a serem escolhidos pelo sujeito, uma vez que, como Freud mesmo disse, "o homem não é senhor de si", e olha que ele pagou caro ao falar isso. E ainda bem que falou...E o que ele acusou ao falar isso? Somos seres dotados de inconsciente, seres de linguagem, seres do social, pois quando nascemos, se não aparece alguém para dar sentido ao nosso choro, não desenvolvemos nada, ficamos apenas como um "bolo de carne"...e o bebê é isso quando nasce, até que, se ele tiver sorte, alguém apareça e o mergulhe no mundo da linguagem! Algumas pessoas podem ficar chocadas com o "bolo de carne", eu fiquei no começo...rs

Mas antes que eu entre no assunto da constituição do sujeito, aproveito esta postagem, que está mais para um diário (dear diary...), e volto a pensar no propósito deste blog. Sim, como muitos já perceberam, aqui se fala de Psicanalise e, assunto afins, mas também não deixa de ser um espaço com registros meus (pessoais até) uma vez que a teoria sob minha óptica já está "contaminada" pelo sujeito do inconsciente que aparece aqui, sem que eu me dê conta. Aqui possibilito o dialogo com outros profissionais, estudantes, curiosos, interessados, ou até mesmo os céticos, que são importantes também! 

Finalizo com uma frase que gosto muito...

"A felicidade é um problema individual. Aqui, nenhum conselho é válido. Cada um deve procurar, por si, tornar-se feliz." S.Freud


Abraços e até breve!

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Ainda sobre as "Entrevistas Preliminares"...

Continuando este tema que iniciei anteriormente, mencionei bastante a importância desta primeira "etapa" no processo de análise, focando o primeiro contato entre analista e analisante (paciente).

Hoje, falarei de algo que gera muita polêmica, ocasionando interpretações errôneas...

Hipótese Diagnóstica
Nas primeiras sessões, durante o período das entrevistas preliminares, o analisante fala mais de seu sintoma, como fenômeno, colocando-se quase que alheio a este, ou até mesmo posicionando-se no lugar de "vítima". O analista escuta de maneira atenta, tudo que o analisante despeja, baseando-se na atenção flutuante, ou seja, o importante desta escuta diferenciada são os significantes ditos pelo paciente, que formam uma cadeia, um (significante) sempre puxando outro (inconsciente estruturado como uma linguagem). 
A partir desta fala inicial do paciente, impregnada de mecanismos de defesa (racionalizações, projeções, etc.), o analista tem acesso a esse discurso, que em algum momento falha, ou apresenta uma falta (ou não!no caso de psicóticos). Dessa forma, se torna possível uma hipótese diagnóstica acerca do paciente, ou seja, sobre sua estrutura psíquica.  
O analista precisa ter um norte para seguir com as sessões, e, este norte, são as estruturas clínicas (neurose, psicose e perversão). Contudo, é aí que devemos ter cuidado, não se trata de enquadrar o paciente a uma dessas estruturas, mas de saber de que maneira este sujeito saiu do Édipo e como ele encara sua falta estruturante. A importância disto está no fato de que o tratamento de um psicótico não permeia as mesmas direções do neurótico. Enquanto que o neurótico foge de sua falta, ou seja, não quer saber daquilo que o marcou estruturalmente, o psicótico possui a certeza de que nada lhe falta, é completo. A palavra do neurótico é a dúvida. A do psicótico é a certeza. 
Sendo assim, percebemos a importância do direcionamento para se seguir com a análise, e este direcionamento é marcado por essa hipótese, que mais tarde pode vir a se confirmar ou não. Na psicanálise, nada é engessado, até mesmo as estruturas psiquicas são contínuas, possibilitando o sujeito se mostrar mais complexo ainda...!


Fico por aqui hoje!
Abraços!

Mariana Anconi

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

27 de Agosto - Dia do Psicólogo

















"Pois fica decretado, a partir de hoje, 
que psicólogo é gente também. 


Sofre e chora, ama e sente, às vezes, 




precisa falar: O olhar atento, o ouvido aberto, 



escutando a tristeza do outro, quando, às vezes 






a tristeza maior está dentro do seu peito. 






Quanto a mim, fico triste e fico alegre 







e sinto raiva também. Sou de carne e osso, 






e quero que você saiba isso de mim. 






E agora, que já sabe que sou gente, 






quer falar de você pra mim?" 

Cyro Martins

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Entrevistas preliminares: Tópicos importantes

Boa noite blogueiros!

Hoje escrevo sobre um tema super importante dentro da clínica psicanalítica: as entrevistas preliminares!
Primeiro, o que me leva a escrever sobre tal tema? A inspiração é fruto de um encontro que tive hoje com pessoas que estudam de Freud a Lacan. Cada vez que tenho esses encontros sinto a psicanálise mais  presente em minha vida, já que hoje me ocupo de atividades que fogem desta prática.
E lá vamos nós...

Bom, a psicanálise sempre foi vítima de mal-entendidos e interpretações equivocadas, simplesmente porque as pessoas falam o que ouviram ou leram em algum lugar, mas nunca porque foram na fonte certa: Freud. Sobre as entrevistas preliminares preciso comentar um pouco do que se trata e por que são tão importantes no processo de análise.


As entrevistas preliminares nem sempre tiveram esta nomenclatura, foram inicialmente chamadas por Freud de "tratamento de inicio" ou mesmo "tratamento de ensaio". Já em Lacan, foi que obtivemos a nomenclatura utilizada atualmente. Sabe-se que Freud foi construindo sua teoria a partir da prática na clínica (casos clínicos), e chegou um momento em que foi necessário desenvolver textos que abordassem sua técnica, e foi o que ele fez. Nestes textos, ele faz "recomendações aos médicos" sobre a técnica psicanalitica, e lá aprendemos sobre as entrevistas. Comentarei este tema através de tópicos.

O primeiro contato

É neste momento da entrevista que acontece o primeiro contato entre analisante (paciente) e analista. Etapa importante para o restante do processo de análise! Isso porque esse primeiro contato abre espaço para a transferência de análise, que até o momento ainda não está, de fato, instalada. No entanto, não podemos dizer que não há transferência, pois se o analisante chegou até o consultório deste analista em especial, isso deve-se ao fato de que algo da transferência ocorreu, mesmo que de maneira mais "frágil", e que, ela se consolida no decorrer do processo, ou seja, se o analisante voltar na próxima sessão. Como sabemos a transferência é a mola propulsora do tratamento. Ela pode ser positiva ou negativa, e por isso temos a relação entre amor/ódio (segundo Lacan - amódio), que são afetos para a psicanálise. 

No próximo post falarei de outro tópico dentro do tema "Entrevistas Preliminares"!

Abraço!



Mariana Anconi


quarta-feira, 14 de julho de 2010

Enfim, Psicóloga...

Quantas dúvidas, quantos questionamentos. O futuro incerto que amedronta se torna cada vez mais próximo, e a angústia aparece como vilã neste momento. No entanto, ela é extramamente importante, pois nos faz mover, caminhar, ir em busca de nossos objetivos.
Nesta etapa final, refletimos tanto que, chegamos até nos perguntar: O que é o Psicólogo?
O Psicólogo, antes de tudo, é ser humano também, tem sentimentos, opiniões, dificuldades, talentos, ansiedades, até fobias! Mas, quando ele está de frente para o cliente, ou atrás do divã (dependendo da abordagem) ele perde a noção de espaço e tempo e se volta para o sujeito que o escolheu para falar de suas angustias, alegrias, dúvidas, segredos...


Nós Psicólogos, somos assim, gostamos de GENTE! E aqueles que não se identificam com isso, me perdoem, mas talvez vocês estejam na profissão errada.
A Psicologia é tão complexa, que anteriormente era uma ciência da saúde e agora é da área de humanas. É até dificil de enquadrá-la em uma categoria, pois para uma ciência que fala de ser humano, a ausência de rótulos é fundamental!
Reflexo dessa complexidade também está nos diversos campos e áreas de atuação: Organizacional, Escolar, Jurídica, Esporte, Clínica, Hospitalar, e tantas outras. E além disso, temos diversas abordagens...ah, as abordagens geram muita polêmica entre os profissionais, mas infelizmente, muitos esquecem que independente de abordagem, somos profissionais que buscam promover qualidade de vida aos nossos pacientes.



Saio deste ciclo com uma certeza: 
Fiz a escolha certa para minha vida
Neste momento, a saudade dos colegas já surge como um aperto no peito. Talvez porque dizer "tchau" não seja fácil, mas sim seja um momento de convocação, talvez porque teremos que encarar a realidade sem termos mais o apoio de todos, mestres e colegas de classe. Vamos caminhar com nossas próprias pernas, o erro não é mais aceitável a partir de agora, pois tivemos 4 anos e meio para aprender (e errar faz parte desse processo), mas como já mencionei, agora amigos, nossos pacientes depositam toda confiança em nós, profissionais da subjetividade e devemos honrar isso.

Parabéns a todos da turma 150931, me orgulho por ter participado desta jornada com vocês!

Abraço!

Mariana Anconi

segunda-feira, 17 de maio de 2010

O crime das irmãs Papin

Boa noite!

Como no momento tenho lido muito a respeito do tema "Psicose" devido a elaboração da minha monografia, decidi compartilhar com vocês este caso estudado por Jacques Lacan na época em que fazia sua tese de doutorado.

As irmãs Papin e suas patroas

"Quinta-feira, 2 de fevereiro de 1933, na cidade de Le Mans, província de Sarthe. São cerca de vinte horas; a polícia municipal é chamada à residência de René Lancelin, que não havia conseguido entrar em sua casa, arromba a casa do antigo procurador e, no primeiro andar, encontra a Sra. Lancelin e sua filha assassinadas, com os corpos pavorosamente mutilados e os olhos arrancados das órbitas.
No segundo andar, refugiadas num canto da cama e agarradas uma à outra, as duas empregadas exemplares, Christine e Léa Papin, confessam sem dificuldade haver cometido o duplo assassinato de suas patroas - patroas irrepreensíveis, segundo suas palavras. Um simples incidente insignificante, a propósito um ferro de passar com defeito e de um fusível queimado, parecia haver desencadeado a carnificina sangrenta".
(Nasio - Os grandes casos da Psicose, 2001, p. 191)

Diante deste contexto, apresento-lhes um caso muito famoso e comentado na época, notícia na primeira página do jornal local La Sarthe.

Le Mans - France

As irmãs Papin eram as empregadas exemplares, que todo patrão gostaria de ter em sua residência. Dedicadas ao serviço, esforçadas ao máximo, para que não houvesse reclamação alguma das patroas. Raramente eram vistas na rua, não tinham amigos, namorado, ou mesmo vida social... "Que estranho!" - comentavam os cidadãos da cidade. 
Christine e Léa não tinham mais contato com a mãe. Esta por sua vez, nunca desempenhou a função materna da maneira "adequada" com sua filhas (que eram três por sinal). Sempre as entregava a outras pessoas e quando quisesse as buscava novamente, exercendo um poder sobre elas, em outras palavras, fazendo-as de objeto. A filha mais velha (Emilia) abandonou a familia para dedicar-se a igreja, já as outras duas (Christine e Léa) foram abandonadas pela mãe e juntas conseguiram o emprego na casa dos Lancelin.
As duas irmãs, abandonadas pela mãe, desenvolveram uma relação simbiótica, ou seja, uma era o espelho da outra, uma completava a outra. No entanto, no decorrer dos estudos, percebe-se que Christine desenvolve uma estrutura psicótica, enquanto que Léa (a mais nova e "frágil") se deixa influenciar pelos delírios da irmã mais velha.
Nasio (psicanalista) comenta sobre este caso, que, como as duas irmãs sempre viveram juntas, compartilharam do mesmo pensamento, idéias e almejavam as mesmas coisas, isso foi possível para que o delírio de uma contagiasse a outra. Mas, em outros casos isso é muito raro acontecer, ou seja, uma pessoa "normal" (neurótico) se deixar levar pelos delírios de um psicótico.


Irmãs Papin

Bom, as irmãs tinham um forte sentimento de abandono e viram na Sra. Lancelin a figura materna que faltava em suas vidas, tendo até um momento que chegaram a chamá-la de mãe. Através desta transferência extremamente forte e positiva, as irmãs conseguiram desempenhar um papel aceitável na sociedade - até certo momento!
Eis que chegou o dia em que as estruturas psíquicas balançaram e, num momento súbito, aquela transferência positiva se transformara em negativa, devido a um olhar da patroa de reprovação e insulto direcionado às irmãs. Que péssimo para as patroas...Porque uma vez que o psicótico se sente ameaçado, ele faz de tudo para se proteger! De tudo mesmo, até arrancar os olhos do outro que lançou o "olhar invasivo", que foi o caso. 

As duas vítimas

E no fim da história, as irmãs são presas, Christine de fato surta na prisão, apresentando ataques violentos contra os outros e a si mesma, morre por lá mesmo. Léa condenada a dez anos de trabalhos forçados, saiu da prisão por conduta exemplar, e voltou para junto da mãe Clémence, com quem viveu até o fim de seus dias. E como Nasio disse em seu texto: "Foi essa a história das irmãs Papin, filhas de Clémence: Emilia foi destinada a Deus, Christine à loucura e Léa à Clémence, sua mãe".

Gostaria de comentar muito mais a respeito, pois este é um caso rico em informações sobre esta estrutura psíquica, mas não quero me estender muito neste post! 

Até a próxima ...


Mariana Anconi